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“A metade da população não dorme de fome; a outra metade não dorme de medo de quem está com fome.”

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(por João Lemes) Não é segredo para ninguém que eu vendia saquinhos plásticos no açougue quando era criança. A bem da verdade, eu não vendia; trocava por ossos e pelanca. Isso foi lá em Panambi, onde passei os piores momentos da minha vida, cidade de muita produção, de fábricas e de emprego.

Geografia da Fome
Então, lembrei da frase do Hélio Castro: “A metade da população brasileira não dorme de fome; a outra metade não dorme de medo de quem está com fome.” Apesar da data em que foi dita, ela segue valendo. Hoje muitos brasileiros vão ao mercado comprar sobras de alimentos. Não tem como não lembrar da minha infância.

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Geografia da Fome é um livro do geógrafo Josué de Castro, de 1946. Nele o autor define o conceito de fome que utilizará em toda a sua obra, além de identificar as áreas de fome endêmica e epidêmica no Brasil. Josué foi contra a corrente do pensamento da época, que atribuía a miséria às condições naturais, climáticas e étnicas. Ele foi pioneiro ao defender a instituição do salário mínimo como garantia de segurança alimentar das famílias. É dele a frase: “A metade da população brasileira não dorme porque tem fome; a outra metade não dorme porque tem medo de quem está com fome.”

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Brasileiros vão ao mercado comprar sobras de alimentos

Produtos como feijão quebrado, “pontas de frios”, soro de leite e carcaça e pele de frango se tornam comuns nos supermercados

Sem dignidade
O absurdo preço dos alimentos tem roubado a dignidade dos brasileiros. Matéria da Folha de S. Paulo mostra que, diante da incapacidade das pessoas de comprar produtos como leite, frios, feijão e frango, supermercados estão vendendo alternativas com menor valor nutricional ou até mesmo sobras.

O “feijão fora do tipo”
No Capão Redondo, São Paulo, um mercado está vendendo o “feijão fora do tipo”, composto por 70% de grãos inteiros e 30% de grãos partidos. E, mesmo assim, o produto sai caro: R$ 8,48 o quilo, apenas R$ 1,50 a menos que o pacote tradicional. Na mesma loja, bandejas com “pontas de frios”, ou seja, pedaços de restos de queijo, são oferecidas na promoção.

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Carcaça e pele de frango à venda
Colocar à venda restos de comida, que geralmente iam para o lixo, tem se tornado cada vez mais comum. “Aqui perto de casa que já conhecem a gente, pegamos restos de carcaça, de frango, de gordura, quando dão, mas tá muito difícil de dar também, porque agora tudo eles colocam para vender”, contou à Folha Josefa da Silva, moradora de Osasco.

O que ela diz pode ser facilmente comprovado nas prateleiras, onde se tornou comum ver carcaça e pele de frango à venda. Assim, até esses produtos ficam inacessíveis para muitos trabalhadores. “Para te falar a verdade, nem carcaça tô podendo comprar, porque não tá sobrando nem para isso”, disse Ionara Jesus, moradora da cidade de São Paulo.

João Lemes

Oi! Aqui é o João Lemes, editor do Expresso Ilustrado e do site Nova Pauta. Sou graduado em Língua Portuguesa e membro da Academia Santiaguense de Letras. Gosto de abordar todos os temas. Se você gostou, obrigado, se não gostou, obrigado por ter lido. Aceito sugestões. Um abraço.

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