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Santiago perde a professora Cleusa Pinto

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Acaba de ser sepultada a matriarca da família Pinto, a professora Cleusa Biermann Pinto, 79 anos. Ela estava hospitalizada há meses em virtude de um câncer. A professora Cleusa era esposa do advogado e ex-vereador Valdir Amaral Pinto. Os filhos Marco, Antônio Augusto (Guto), Luiz Felipe, Marília e Suzana choram por sua morte, assim como centenas de amigos e comunidade. (Foto/rede social e Blogue Rafael Nemitz)

HOMENAGEM

O compositor Mauro Ferreira (seu genro) escreveu esta homenagem:

DONA CLEUSA
Hoje perdi minha querida sogra,
consumida ao calvário da doença.
Vim prestar-lhe uma última homenagem
e pude ver sua expressão serena.
Marido, filhos, netos e bisnetos
envoltos numa nuvem de tristeza,
num silêncio que aos poucos foi tomando
cada quarto da casa de madeira.
Mas não pensem, senhores, que algum dia
a enfermidade diminuiu-lhe a fleuma!
Viveu a plenitude dessa vida,
até o último instante sendo Cleusa!
Fazia parte de uma dinastia
de mulheres da mesma descendência,
– as Xistas – como chamam na família
as que nascem trazendo uma secreta
vocação de anteverem o futuro,
de enxergarem distante sob a névoa.
Previa fatos que aconteceriam
com a serenidade da certeza.
Anunciava aos mais íntimos, as pessoas
que íam deixar a dimensão terrena.
(Numa troca de olhares – nos dizia –
vinham se despedir de dona Cleusa).
Espero que ela encontre a paz dos justos,
e que se reconheça no poema
que fiz no dia em que nos despedimos
vivendo esta saudade que já queima,
pois a vida ensinou-me, entre outras coisas,
a admirar os dons de dona Cleusa.
Criou seis filhos sendo professora,
a eles transmitiu a sua têmpera
e o destemor de andar por este mundo
com um senso incomum de independência.
Esgrimiu como poucos sua crítica
aos que julgava de visão estreita.
Não aceitava dogmas antigos.
Tinha na alma uma janela aberta.
Ficou meu sogro, sério e solitário
perambulando em sua biblioteca,
onde sabe o lugar de cada livro
que se apertam no vão das prateleiras,
onde cada romance e cada verso
vêm guarnecer sua memória imensa,
como um guardião dos causos de seu povo,
estuário da história de sua aldeia.
Dona Cleusa partiu, mas eu a vejo
diariamente, sem que se perceba,
nos trejeitos do rosto de Suzana
quando pressente algo que aborreça,
no cantinho da boca que se esgarça
balançando o pescoço e a cabeça.
Obrigado por anos de convívio,
pelo carinho em frases quase secas,
e pela mulher forte que moldastes
pra acompanhar meus passos sobre a terra.
Caminho pelas ruas de Santiago
com sensação de estar pisando estrelas.
O tempo está escapando entre meus dedos,
o fogo, aos poucos, derretendo a vela.
Fica com Deus, e olha por teus filhos.
Um beijo e até um dia, dona Cleusa.

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