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Os pedaços da galinha (opinião)

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Com o frango pela hora da morte, o jeito é disputar tudo

(por João Lemes) Todos contam sobre os prazeres da infância. Prazeres que tiveram e os que não tiveram. Eu tive tantos, não tive outros tantos… Um dos prazeres que não tive foi o de comer o pescoço da galinha (aquele recheado com o sangue da ave). É que criança não tinha vez naquela época. Só falava se mandassem, só vinha para a mesa se chamassem e só comia o pedaço que sobrasse. Quanto ao resto da casa, todos tinham seu pedaço da galinha.

O vô comia a coxa. A outra era da irmã mais velha. A vó só gostava do peito e, a mãe, da “sambica”. Tudo bem, por mim, esta ela poderia comer sempre. Ora se eu iria querer um pedaço puro osso, assim como os pés, nos quais os manos mais velhos sempre se avançavam! Eu queria mesmo era o pescoço. Talvez porque ele fosse o preferido do pai. Como admirava e amava meu pai, adorava também o seu pedaço predileto.

Com o passar do tempo, crescendo por casas alheias, fui dando graças quando me sobrava algo. Poderia ser até aquelas carcaças de galinha compradas em botecos. E te falo em ensopado bom que davam! Os pescoços, então… Como eram saborosos! Não eram como aqueles que “não comi” na infância, mas eram bons. Hoje, o bom é ter os filhos ao meu redor, seja para comermos churrasco, lasanha, pizza, pescoço ou até um pé de galinha. Melhor ainda é poder dizer o quanto os amo…

João Lemes

Oi! Aqui é o João Lemes, editor do Expresso Ilustrado e do site Nova Pauta. Sou graduado em Língua Portuguesa e membro da Academia Santiaguense de Letras. Gosto de abordar todos os temas. Se você gostou, obrigado, se não gostou, obrigado por ter lido. Aceito sugestões. Um abraço.

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